Nomofobia: Redes sociais são nocivas à saúde mental e comportamental

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Se você já é inscrito no blog, sabe que nosso foco é Tecnologia da Informação e deve ter estranhado uma palavra tão diferente como Nomofobia no título, realmente o artigo de hoje é um pouco diferente do comum. O artigo de hoje não possui relação direta com Tecnologia da Informação, mas o tema é consequência indireta do avanço tecnológico e trata-se de saúde mental. Nem só de coisas boas o avanço tecnológico proporciona.

O avanço tecnológico possui inúmeros pontos positivos, mas também há alguns pontos negativos, os quais são importantes falar a respeito para conscientização e procurar formas de superar esses pontos. Um desses pontos é consequência do impacto instantâneo e demasiado de informações. NOMOFOBIA, você conhece esse nome?

Mesmo sem conhecer esse nome, certamente você já ouviu o tema desse debate ser pautado. Nomofobia, do inglês “no mobile fobia”, é o vício de estar conectado excessivamente a algum celular ou computador, a ponto de ter um desconforto, angústia e diversas outras sensações ao ficar longe do eletrônico. Em alguns casos, gera até depressão.

Um dos motivos que gera esse vício é a chuva de informações que impactam os usuários instantaneamente, seguidas de uma chuva de notificações. Com o passar do tempo, o usuário não está mais satisfeito somente em ver o que as notificações tem a mostrar, como procura mais e mais coisas para olhar, criando na própria cabeça motivos para justificar que olhe o celular ou computador novamente, como um TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

Além disso, cria-se no subconsciente do usuário um pensamento e sensação de perder algo importante, que também leva a essa necessidade de sempre dar aquela conferida. Pouco a pouco, de forma progressiva, o usuário substitui a vida real pela vida conectada. Se deixar levar, o não contato com o aparelho leva a falta de ar, náuseas, aceleração da frequência cardíaca e também dores de cabeça, isso sem contar nos problemas psicológicos.

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Isso também pode ser explicado quimicamente, trata-se da substância química chamada dopamina. A dopamina está em todo lugar do cérebro humano e alimenta o sistema de recompensa, é a dopamina que vai fazer você alterar sua tomada de decisão, como por exemplo dar mais uma conferida no feed de alguma rede social ou nos e-mails antes de fazer qualquer coisa. Veja mais a respeito nos tópicos abaixo!

Experimento científico

Em 1954, os cientistas James Olds e Peter Milner, da Universidade McGill, fizeram experiências com um rato de laboratório. A experiência consistia em aplicar estímulos elétricos no cérebro do rato após o mesmo apertar uma alavanca.

O rato parou de comer, brincar e até mesmo de ter relações. O roedor pensava apenas em apertar a alavanca ininterruptamente para continuar recebendo esses estímulos.

Esse estímulo se tornou um vício incontrolável por conta da recompensa imediata que liberava mais e mais dopamina, que possui uma demanda infinita e insaciável. Diferente da fome e do sexo por exemplo, que são necessidades/vontades com começo-meio-fim, a demanda pela dopamina não acaba. Veja no vídeo.

Há cada vez mais pessoas parecidas com o ratinho do experimento científico. Se atente a isso!

Sair de redes sociais diminui o hormônio do estresse

Segundo estudo de cientistas australianos, remover uma conta do Facebook ajuda a reduzir o nível de cortisol, hormônio do estresse. Apesar do estudo ter foco no Facebook, os cientistas acreditam que as conclusões se aplicam a qualquer rede social.

As pessoas que participaram do estudo precisaram se afastar da rede social por 5 dias. No período, o nível de cortisol foi diminuído constantemente.

Os cientistas explicam o efeito graças a liberação da influência da rede social, que por sua vez, ajuda o processamento do usuário a gastar esforços mentais com a saturação de informações, provocando estresse. Para facilitar o desapego, recomenda-se parar de utilizar as redes sociais uma hora antes de dormir.

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FoMO

Outra categoria desse vício também pode ser caracterizado como FoMO (Fear of Missing Out), que é o medo da não inclusão dentro das redes sociais, o medo de ficar por fora e não sentir a aprovação/aceitação na mesma.

Se você está em algum lugar e, enquanto está nesse lugar, o pensamento que percorre sua cabeça são possíveis posts no Instagram, tome cuidado, pois é um forte sintoma de dependência da rede social.

A síndrome do FoMO foi citada a primeira vez há quase duas décadas por Dan Herman e posteriormente por Andrew Przybylski e Patrick McGinnis como o medo de que as outras pessoas tenham experiências e uma vida que você não tem.

Nas redes sociais posta-se apenas as coisas e partes boas da vida, muitas vezes de forma artificial, a entender que a vida de todos é maravilhosa. Nos olhos de quem vê, há uma comparação com a própria vida e cria uma conclusão de que a própria vida não é tão legal assim e que os outros tem uma vida perfeita e muito melhor, quando na verdade, é pura artificialidade.

Após esse processo, quem foi impactado quer causar o mesmo impacto nas demais pessoas da rede. Dessa forma surge um ciclo de faz de conta que é repassado para mais e mais pessoas querendo mostrar para o mundo o quanto é tão legal como os demais.

Como diagnosticar FoMO/Nomofobia?

Se você identificar esses sintomas, seja em você mesmo, amigos ou conhecido, ligue o alerta e não deixe que as coisas se intensifiquem.

  • Atualizar alguma rede social no intervalo de poucos minutos ou até mesmo segundos em casos mais avançados. Sempre querer saber o que os outros estão fazendo;
  • Em confraternizações, festas e demais eventos, não tirar os olhos do celular;
  • Distração excessiva durante as conversas, seja na aula, no trabalho ou até com a própria família;
  • Utilizar celular enquanto faz tarefas básicas como dirigir ou comer.

Se você está passando ou conhece alguém que esteja precisando de ajuda emocional, não hesite em conhecer ou indicar o CVV (Centro de Valorização da Vida), trata-se de uma organização sem fins lucrativos que serviço voluntário e gratuito de apoio emocional. Você pode salvar uma vida!

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